Esta comemoração litúrgica, com carácter de solenidade, no dia 19 de Março, vem desde os tempos de Gregório XV que a generalizou a toda Igreja. É tão importante para a Igreja que se impõe à liturgia da féria quaresmal.
Esta devoção despontou na Igreja a partir do século IV. Nos três primeiros séculos, a Igreja dedicou-se em especial à Cristologia e à Mariologia. Convinha que irradiasse com todo o esplendor a luz da divindade do Verbo. Por isso mesmo as festas mais antigas do ano litúrgico estão relacionadas mais intimamente com o mistério da salvação e redenção, como a Páscoa, a Epifania e o Baptismo. Logo o período áureo da Mariologia, a partir do Concílio de Éfeso, (+431) que foi fecundo inspirador de festas, procissões, mosteiros, catedrais e basílicas dedicados a Nossa Senhora Mãe de Deus, com destaque especial para as festas da Natividade, Apresentação no Templo e Dormição da Virgem.
Depois da Virgem, é José a personagem mais importante na vida do Verbo encarnado. Não sendo o pai biológico de Jesus, exerceu sobre ele a autoridade paterna, e foi seu pai legal para todos os efeitos. Foi o verdadeiro depositário da autoridade do Eterno Pai, revestido do poder paterno dentro da Sagrada Família de Nazaré. A ele se dirige o anjo, em todas as vicissitudes: na concepção por obra do Espírito Santo, na ida para Belém, no nascimento, na apresentação no Templo, na fuga para o Egipto e no regresso e ainda no encontro do Menino aos doze anos no Tempo de Jerusalém, entre os doutores da Lei. Praticamente durante toda a infância de Jesus, José aparece ao lado de Maria e de Jesus, como seu guarda e guia, exercendo todos os atributos de pai, como estrela de primeira grandeza. Não sendo o pai biológico de Jesus, a sociedade escolheu-o para modelo dos pais, de tal forma que no seu dia se celebra o Dia do Pai.
Os Padres da Igreja louvam-no em imensas oportunidades. São Jerónimo louva a virgindade de São José; São João Crisóstomo fala com ternura dos seus gozos e das suas dores; Santo Agostinho descreve-o como verdadeiro pai de Jesus, com exceção do nascer fisicamente dele.
Em Belém fala-se duma igreja dedicada em sua honra no século IV, por Sana Helena e duma festa geral a partir do século IX.
No Ocidente o culto é mais tardio, encontrando-se já no século XII entre os Beneditinos. No século XIII, os Carmelitas propagam-no pela Europa. No século XV, João Gerson e São Bernardino de Sena são os seus fervorosos propagandistas. No século XVI Santa Teresa de Jesus encarregou-se de dar a conhecer as glórias de São José, a sua eficácia no céu e o seu patrocínio na terra. Ela mesma o afirma: «não me lembro de ter-me dirigido a S. José, sem que tivesse obtido o que pedia». Desde então, a luz que envolve a imagem do Patriarca, com o Menino ao colo e a varinha da sua virgindade, cresce constante, como a do sol que sobre do Oriente e chega ao zénite.
A Igreja do Oriente celebra São José desde o século IX, no domingo a seguir ao Natal; os Coptas no dia 20 de Julho. Os Carmelitas introduziram a devoção na Igreja ocidental. Os Franciscanos, em 1399, já festejavam o Santo Patriarca.
Sisto IV (+1481) insere a Festa de São José no breviário e no missal romanos. Gregório XV generaliza-a a toda a Igreja. Clemente XI compõe o ofício, com os hinos, para o dia 19 de Março e coloca as missões da China sob a proteção de S. José. Pio IX introduz, em 1847, a festa do Patrocínio de S. José e em 1871 declara-o padroeiro da Igreja universal. Leão XIII e Bento XV recomendam a devoção especial a São José, chegando este último Papa a inserir no missal um prefácio próprio. Pio XII estabelece, em 1955, a Festa de São José Operário que ainda vigora no 1º de Maio. João XXIII inclui o nome de São José no Cânone da Missa.
Liturgia da Palavra - https://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=294
Reflexão
A profecia de Natã acena a Salomão, filho de David e construtor do templo. Mas as palavras: manterei depois de ti a descendência que nascerá de ti e consolidarei o seu reino, indicam uma longa descendência no trono de Judá. Esta descendência teve um fim histórico, recebendo força profética na alusão velada ao Messias, descendente de David. Ele reinará para sempre. Mas o seu reino não será deste mundo. Será um reino espiritual para salvação da humanidade. A tradição cristã sempre aplicou este texto a Jesus, Messias descendente de David, e a José, o último elo da genealogia davídica.
Paulo evoca a figura de Abraão, pai dos crentes, que reconheceu a sua indigência e acreditou em Deus recebendo a justificação. A liturgia aplica a São José o elogio de Paulo a Abraão. A fé do esposo de Maria, submetida a duras provas, manteve-se firme, fazendo dele homem justo e pai adoptivo de Jesus. A sua resposta de fé manteve-se durante toda a sua vida, colaborou com disponibilidade e generosidade no projecto de salvação de Deus.
A lei judaica mandava que os primogénitos, sendo sagrados, deviam ser entregues a Deus ou sacrificados. Como o sacrifício humano era proibido, a lei obrigava a fazer uma espécie de troca, em vez do menino, era oferecido um animal puro (cordeiros, pombas). Com a substituição do sacrifício, oferecem-se duas pombas, é evidenciado o facto de Jesus ser apresentado ao Senhor, solenemente oferecido ao Pai. O sentido deste oferecimento só se compreende à luz da cena do calvário, onde Jesus já não pode ser substituído e morrerá como autêntico primogénito, que se entrega ao Pai pela salvação dos homens.
Como pai adoptivo, José preocupa-se por tudo quanto diz respeito a Jesus. Embora não lhe seja dado penetrar completamente no mistério das relações de Jesus com o Pai, e também não compreendendo tudo quanto Jesus faz e diz, deixa-se no entanto, conduzir por Deus, com uma fé dócil e silenciosa. A sua máxima, à semelhança da de Jesus e da de Maria, poderia ser: Ecce servus tuus, eis o teu servo.
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