Thursday, March 24

Quinta-feira da Semana II da Quaresma

Leituras e Reflexão no Portal dos Dehonianos

Na 1ª leitura: apresenta-nos 2 caminhos possíveis: Maldito o homem que confia no homem e que afasta o seu coração do Senhor e Bendito o que confia no Senhor.
A 1ª leitura procura ajudar-nos a descobrir a verdadeira sabedoria, a que nos ensina a encontrar o caminho da vida e da salvação. Jeremias ensina que é a força de Deus e não o poder humano quem pode salvar, embora o coração humano, o que há de mais astucioso e incorrigível, tente encontrar nos seus sentimentos mais íntimos a resposta para as suas interrogações. Só Deus experimenta e avalia com justiça os comportamentos e frutos de cada um dos homens, porque só Ele conhece o coração do homem e o pode curar.
No Evangelho, apresenta-nos 3 cenas: situação de vida do rico e de Lázaro, cena depois da morte, diálogo do rico com Abraão. Há vários contrastes entre ambos, felicidade de um e desgraça do outro.
Com esta história, Jesus não quer dizer que os ricos não vão para o céu. O rico não é condenado pelo simples facto de o ser mas porque não respeita Deus, prescinde de Deus, abandona os caminhos de Deus, é egoísta e não partilha os seus bens com aqueles que precisam. Por sua vez, Lázaro não se salva porque é pobre mas porque está aberto a Deus e espera d’Ele a salvação. Afirma-se o perigo da riqueza porque pode criar o esquecimento de Deus, a surdez à Palavra de Deus e fechamento ao próximo.
Escutar a Palavra de Deus, converter-se a Jesus Cristo e aos Seus ensinamentos, abandonar a falsa segurança dos bens materiais e partilhar com os irmãos o que temos são deveres do cristão que parte da Eucaristia. Esta lição de Jesus não é apenas para os ricos de bens materiais mas é para todos aqueles que se sentem abertos à proposta de Jesus Cristo. Já temos as condições necessárias para a conversão: a Palavra de Deus, os sacramentos, cursos de formação, catequese, testemunhos de fé, sinais da presença de Deus. Por vezes, faltam-nos a decisão do coração, a força interior de confiarmos em Deus e na Sua acção sobre nós.

Sunday, March 20

Domingo II da Quaresma

Leitura e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

O Evangelho de hoje fala-nos da transfiguração de Jesus, é um meio de que o evangelista se serve para nos mostrar o verdadeiro sentido da Quaresma. A nossa caminhada neste tempo quaresmal tem como objectivo contemplar Cristo Ressuscitado para nos transfigurarmos à sua imagem. Só assim, terá sentido o nosso desejo de conversão, a nossa oração, o nosso jejum e esmola quaresmais.
A transfiguração não é o relato de acontecimento paranormal de Jesus nem é um milagre extraordinário e espectacular que Ele fez. É uma catequese e um ensinamento, é uma palavra de ânimo para os discípulos pois aí se manifesta a glória de Jesus e confirma-se que Ele é o Filho amado de Deus. É uma revelação antecipada de Cristo glorioso, da Sua Ressurreição. Em Cristo transfigurado, reconhecemos a glória do Filho de Deus que se há-de revelar em nós próprios e tomamos coragem para subirmos até à transfiguração pascal, que Deus dará a quem escutar e seguir o seu Filho.

Wednesday, March 16

Quarta-feira da Semana I da Quaresma

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

Temos hoje o tema da penitência, no sentido de conversão. Outrora, até os pagãos, como os habitantes de Nínive, ao ouvirem a palavra de Deus, se converteram. Hoje, não esperamos outros sinais do céu; é sempre essa mesma palavra que é para os homens de todas as gerações o grande sinal. Para ser sinal, a Palavra, o Verbo, o Filho de Deus, fez-Se homem e falou no meio dos homens, em palavras humanas, para Se revelar e revelar o Pai aos humanos.
O livro de Jonas ensina-nos que a misericórdia de Deus não se limita ao povo eleito, mas atinge todos os homens. O profeta é enviado a Nínive, capital da Assíria e anuncia a destruição dessa enorme cidade, destruição motivada pela maldade dos seus habitantes. Na primeira vez, Jonas tentou esquivar-se à missão, demasiado grande para alguém tão pequeno e frágil.
O povo aglomerava-se em volta de Jesus para O ouvir. Mas Jesus faz-lhes sentir que eles são mais curiosos, sempre à espera de qualquer sinal maravilhoso, do que desejosos de escutar a sua palavra, que dá luz e leva à conversão. E lembra-lhes como os habitantes de Ninive se converteram ao ouvirem Jonas, como recordava a primeira leitura, e como a rainha de Sabá, veio de tão longe só para ouvir o sábio Salomão. E ali estava Ele, maior que Jonas, e mais do que Salomão, mas que não era escutado com fé semelhante à daqueles seus antepassados, nem eles se deixavam conduzir à penitência como aqueles a quem Jonas pregava. Prefigurado por Jonas, mas maior do que ele, e mais do que Salomão, cuja sabedoria atraía de longe a rainha de Sabá, Jesus aqui está, também agora no meio da assembleia dos cristãos, a fazer-Se, de novo, ouvir; como sempre que na Igreja se lêem as Sagradas Escrituras.

Tuesday, March 15

Terça-feira da Semana I da Quaresma

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

A liturgia dos primeiros dias da Quaresma dá-nos as grandes linhas para a vida cristã nesta preparação pascal. A primeira leitura de hoje apresenta a palavra vinda de Deus como força portadora de vida, capaz de produzir em nós uma renovação profunda. A palavra de Deus é o grande alimento deste tempo de jejum quaresmal. A palavra é a mediação através da qual o homem sente a Deus como próximo e como ausente, uma vez que os seus caminhos não são os nossos caminhos; é uma realidade viva, enviada do céu para realizar a salvação; é eficaz pois é capaz de realizar o seu objectivo, tal como a chuva e a neve, que fecundam a terra e lhe dão capacidade de produzir frutos. A Palavra de Deus é o próprio Cristo, que saiu do Pai e veio ao mundo para manifestar a vontade do Pai e a mesma Palavra nos enche de consolação e esperança.
O Evangelho ensina-nos como responder à palavra de Deus na oração: não rezar como os pagãos, que julgam dever usar muitas palavras para atrair a atenção ou a benevolência das suas divindades; Deus, nosso Pai, está sempre atento a cada um de nós e conhece aquilo de que precisamos; mais do que falar muito, há que ter, diante d´Ele, uma atitude de filhos; no diálogo profundo em que o homem derrama a sua alma diante de Deus, a quem ousa chamar Pai. A oração é uma das ocupações principais do cristão na Quaresma. Jesus ensina-nos hoje como a oração deve ser, antes de mais, a voz do coração animado pela fé, pela esperança e pelo amor filial para com o Pai celeste, como o próprio Senhor fez durante os 40 dias que passou no deserto.
«Santificado seja o vosso nome». Não se trata de nós santificarmos a Deus, que é O Santo, mas de que, pelas nossas palavras e pela nossa vida, todos os homens e mulheres do mundo O louvem, O adorem, O reconheçam como Senhor e se tornem e vivam como seus filhos.
«Venha a nós o vosso reino». O reino já está no meio de nós. Mas é preciso reconhecê-lo e acolhê-lo, aceitando a senhoria de Deus.
«Seja feita a vossa vontade». A vontade de Deus cumpre-se no céu e na terra. Mas é preciso que se cumpra em cada um de nós. Por isso, quer que a acolhamos e adiramos a ela com amor, como Jesus.
«O pão nosso…». Este pão é tudo aquilo que o homem precisa para viver dignamente como criatura e filho de Deus, desde o alimento, à casa, às condições de vida, até ao Pão, que é o próprio Jesus.
«Perdoai-nos…». Precisamos do perdão de Deus para entrarmos no Reino; mas não podemos pedir para nós o que recusamos aos outros…
«Não nos deixeis cair em tenação…». Pedimos que, diante das provações da vida, jamais deixemos de acreditar na bondade de Deus, nosso Pai, e jamais reneguemos a fé em Jesus Cristo, cedendo ao Maligno.
«Livrai-nos do mal…». É um pedido que reforça o anterior, pois o Maligno é o instigador do mal, o tentador.

Monday, March 14

Segunda-feira da Semana I da Quaresma

Leitura e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

Neste Deserto quaresmal, o alimento celeste que dará força ao povo de Deus não é já o maná, mas, a sua Palavra, que logo desde o início deste tempo, assim aparece resumida: “Sede santos”. E as formas de santidade logo se concretizam nas diversas formas de relação com o próximo.


Sunday, March 13

Domingo I da Quaresma

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

Jesus tinha acabado de ser baptizado, recebido o Espírito e foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo demónio. Jesus passa 40 dias aí tal como os 40 anos que o povo judeu passou em caminhada pelo deserto. Este é um lugar privilegiado da experiência do encontro com Deus, da Sua descoberta na própria vida mas é também lugar onde tiveram muitas vezes a tentação de abandonar Deus e quebrar a aliança e os mandamentos.
Este encontro e diálogo assente em citações bíblicas entre Jesus e o diabo é novamente uma catequese e não um relato jornalístico e científico, que nos quer ensinar como podemos ser fiéis ao Senhor e pô-Lo no centro da nossa vida, apesar das dificuldades e dos obstáculos da nossa vida humana.
As 3 tentações resumem as tentações do ser humano: querer viver sem Deus, viver apenas com as capacidades humanas, científicas, filosóficas de uma forma egoísta e orgulhosa sempre a leste das propostas de Deus. Para Jesus, devemos viver em comunhão com Deus, escutando a Sua voz e ensinamentos, realizando a Sua vontade e a missão que Ele tem para nós cumprindo assim os seus projectos.

Sunday, February 27

Domingo VIII do Tempo Comum

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

Para os discípulos de Jesus, o Reino de Deus deve ser o mais importante, a grande prioridade e preocupação da vida: Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça. As preocupações mais primárias da vida do homem: a comida, a bebida, a roupa, a própria segurança são valores secundários em relação aos valores de Jesus Cristo, não devem se tornar os mais importantes, nem precisaremos de viver obcecados com isso porque o próprio Deus Se encarregará de nos ajudar nessas necessidades materiais: e tudo o mais vos será dado por acréscimo. Quem aceita ser discípulo de Jesus descobre que Deus é um Pai bondoso que cuida dos Seus filhos e que conhece as Suas próprias necessidades: Olhai para as aves do céu, o vosso Pai celeste as sustenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Olhai como crescem os lírios do campo Se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao forno, não fará muito mais por vós? Bem sabe o vosso Pai celeste que precisais de tudo isso. Para Deus valemos muito mais do que as plantas e os animais, por isso Ele cuida de nós com predilecção. Devemos confiar n’Ele, sermos responsáveis, abandonarmo-nos a Deus e ensinar aos demais a mesma atitude de confiança. Vivendo nesta perspectiva, estaremos em maior tranquilidade e serenidade na esperança dessa presença amorosa e próxima de Deus na nossa vida.

Friday, February 25

Sexta-feira da Semana VII do Tempo Comum

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

A sabedoria orienta o homem em todos os momentos e em todas as circunstâncias da sua vida e a sua orientação contribui poderosamente para garantir a unidade da sua vida e dos valores da mesma. Um dos maiores valores é a amizade. Mas como ela é rara e difícil de encontrar! Ela não pode existir onde houver egoísmo e é sempre perigoso contraí-la de maneira imprudente e precipitada. O primeiro conselho do sábio é que falemos bem aos outros, se quisermos ter amigos. Também é preciso saber escolher os amigos. Os verdadeiros amigos, os amigos íntimos devem ser bem seleccionados: há amigos que o são enquanto recebem favores, almoços e jantares grátis. O verdadeiro amigo há-de ser provado na sua fidelidade, na sua capacidade de continuar próximo de nós quando surge a tribulação. É esse amigo fiel que constitui para nós um tesouro, a cujo valor nada se iguala.
Os fariseus, para Lhe armarem uma cilada, citam a Jesus a permissão de o homem poder repudiar a esposa. Mas Jesus, partindo daquela permissão, apela para a palavra que fundamenta o próprio matrimónio; e retoma-a para reconduzir a visão do matrimónio à sua ordem original. As desordens dos homens não podem invalidar a ordem que vem de Deus.
O divórcio hebraico tinha o propósito inicial de tutelar a mulher e garantir-lhe uma certa liberdade. Mas as escolas rabínicas discutiam os motivos de divórcio e era concedido pela legislação em vigor com muita facilidade. As prescrições mosaicas sobre o divórcio reflectem a mediocridade humana e não o projecto primordial de Deus sobre a união do homem e da mulher. A moral farisaica fundamentava-se na não confessada inferioridade da mulher, que era considerada propriedade do homem. Para Jesus, a união do homem e da mulher é a meta de uma plenitude humana, ao casarem ambos se enriquecem mutuamente. A união matrimonial procede de Deus e o homem e a mulher levam em si a imagem de Deus-Amor e são chamados a ser uma só coisa no matrimónio e a ninguém é permitido quebrar essa união.

Thursday, February 24

Quinta-feira da Semana VII do Tempo Comum

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

A sabedoria é dom de Deus, que ensina ao homem o caminho do bem e o conduz ao Senhor. Por isso mesmo, não seria agir com sabedoria apoiar-se numa falsa confiança e dilatar o dia de se converter ao Senhor. Ao dom e à misericórdia de Deus só pode corresponder a generosidade e o amor do homem. É preciso ter cuidado em não dar excessivo valor às riquezas. O sábio não se cansa de pregar todas estas verdades. Há que tomar em atenção as suas avisadas palavras, porque elas, e a misericórdia de Deus, são preciosos instrumentos de renovação da nossa vida.
Na comunidade cristã, a vida de relação é de importância fundamental. Os outros são sempre o nosso próximo, mesmo quando distantes. Por isso, eles hão-de ser sempre o objecto do nosso amor, que os há-de socorrer nas dificuldades e nunca deixar que sejam por nós, de qualquer modo, ofendidos. O escândalo é sempre pecado contra o amor devido ao próximo.
Jesus começa a tratar do acolhimento, apontando alguns gestos simples, feitos em seu nome, porque é Ele que dá significado às acções humanas, e lhes confere valor de eternidade. Depois, fala do escândalo: quem põe obstáculos àqueles que ainda são frágeis na fé, merece uma pena severa. É melhor sacrificar os órgãos vitais do que aderir ao pecado e cair na condenação eterna. A intenção de Jesus é positiva: quer libertar-nos, quer dar-nos a vida! Cada um deve discernir o que precisa de cortar para entrar na vida.
O sal e o fogo servem para nos preservar e purificar do pecado. A sabedoria de Cristo deve dar sabor a todas as nossas acções; o fogo do amor deve arder sempre para pôr a nossa vida ao serviço da comunhão.

Tuesday, February 22

Festa da Cadeira de São Pedro

A festa da Cadeira de São Pedro era já celebrada neste dia em Roma no século IV, para significar a unidade da Igreja, fundada sobre o Príncipe dos Apóstolos.
Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela. (Mt 16,18)
Hoje é o Dia da Cátedra de São Pedro. Não sabemos bem como se originou essa festa. Mas é certo que existe uma inscrição, datada de 370 - portanto, há mais de 1.600 anos - atribuída ao Papa São Dâmaso, falando de uma cadeira portátil, dentro do Vaticano, e que é considerada a "cátedra" do Apóstolo Pedro.
Hoje, dessa cadeira restam apenas algumas relíquias de madeira, conservadas e honradas, num lugar onde o grande artista Bernini levantou um monumento grandioso, em honra do primeiro Papa, a Basílica de São Pedro.
Escavações, feitas por cientistas de diversas nações, também provam que os restos mortais de São Pedro se encontram debaixo do mesmo Vaticano, que se torna, assim, símbolo de unidade da Igreja. A celebração de festa da Cátedra de São Pedro tem o significado e o apelo à unidade dos cristãos, sob a guia do Papa, representante visível de Cristo.
O Evangelho nos une a Pedro, mas também a todos os apóstolos e membros da Igreja.

1ª leitura: 1 Pedro 5, 1-4
Caríssimos: Recomendo aos anciãos que estão entre vós, eu que sou ancião como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo e também participante da glória que há-de ser revelada: Apascentai o rebanho de Deus que vos foi confiado, velando por ele, não constrangidos mas de boa vontade, segundo Deus, não por ganância mas por dedicação, nem como dominadores sobre aqueles que vos foram confiados, mas tornando-vos modelos do rebanho. E quando aparecer o supremo Pastor, recebereis a coroa eterna de glória.

Evangelho: Mt 16, 13-19
Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».


Monday, February 21

Segunda-feira da Semana VII do Tempo Comum

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

O Livro de Ben-Sirá é um dos livros que tem por assunto principal a sabedoria, ou seja, a descoberta do sentido da vida humana à luz da verdade de Deus. Esta manifesta-se logo na própria criação, mas sobretudo na palavra de Deus. Neste sentido, sábio não é necessariamente o que sabe muito, mas aquele que aprendeu a olhar para as coisas e sobretudo para a vida, e a saboreá-las com aquele sabor que só Deus pode comunicar aos homens.
Desenvolve três ideias principais: Deus é fonte e sede da sabedoria desde toda a eternidade; a sabedoria, tal como o mundo criado, é um mistério inacessível; criada por Deus, a sabedoria foi por derramada abundantemente nas suas obras. A própria sabedoria humana, que parece ter origem na experiência do homem e no estudo, tem a sua origem em Deus. O coração do homem que ama a Deus é lugar que o Senhor privilegia para lançar a sabedoria. Os verdadeiros sábios são os que amam a Deus. Habita neles a sabedoria, que é um atributo de Deus; habita neles o próprio Deus.
No Evangelho que envolve a cura de uma criança epiléptica, pode notar-se o contraste entre a fé do pai da criança e a pouca fé dos discípulos, que o Senhor lastima e procura fortalecer. Em contrapartida, é admirável a oração simples e confiante do pai, que se apresenta como homem de pouca fé, mas que pede para ser nela fortalecido. Só a humildade e a confiança, como aquelas que inspiraram a oração daquele pai aflito, são caminho que leva à fé.
Jesus verifica que a sua pregação e os milagres realizados não tinham conseguido consolidar a fé dos discípulos, nem da multidão. Daí a sua indignação. O pai do jovem também tinha uma fé inconsistente, partindo dessa fé inicial, e escutando a sua oração Eu creio! Ajuda a minha pouca fé!, Jesus concede-lhe uma fé mais robusta e realiza o milagre pedido.
Quando os discípulos interrogam Jesus sobre a sua incapacidade em curar o jovem, o divino Mestre acena, mais uma vez, à necessidade da oração.

Sunday, February 20

Domingo VII do Tempo Comum

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

Jesus dá-nos uma boa notícia e exige uma grande mudança de mentalidade: não basta amar aquele que está próximo, aquele a quem estou ligado por questões étnicas, sociais, familiares ou religiosas (Se amardes aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem a mesma coisa os publicanos? E se saudardes apenas os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não o fazem também os pagãos?); mas o amor deve atingir todos, sem excepção, inclusive os inimigos (Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus). Jesus apresenta o modo perfeito de ser Seu discípulo: o amor aos inimigos e a oração por eles e assim fica eliminada toda a discriminação e destruídas as barreiras que pudessem separar os homens. A razão disso é a atitude de Deus e do Seu amor que não distingue os Seus filhos e que faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos. Ser filho de Deus e discípulo de Jesus Cristo é ser também testemunha desse amor.
Portanto, sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito é viver segundo os ensinamentos de Jesus Cristo que exige viver não de uma forma legalista e rigorista a lei de Deus mas viver em comunhão com Deus, deixando que a vida de Deus se manifeste na vida quotidiana e nas relações com os outros.
Nós, os cristãos, nem sempre sabemos captar algo que Gandhi descobriu com alegria ao ler o Evangelho: a profunda convicção de Jesus de que só a não-violência, o perdão e o amor podem salvar a humanidade. Gandhi escreveu o seguinte: Lendo toda a história desta vida parece-me que o cristianismo está ainda por realizar; enquanto não tivermos arrancado pela raiz a violência da civilização, Cristo ainda não nasceu.

Friday, February 18

Sexta-feira da Semana VI do Tempo Comum

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

A torre de Babel é o símbolo da desunião dos homens e dos povos, fruto do orgulho dos mesmos. O pecado dividiu os homens; a graça do Espírito Santo, fruto da Páscoa do Senhor ressuscitado, vai reconduzi-los à unidade.
O episódio da cidade e da torre de Babel representa a tentação humana, sempre recorrente, de fugir ao desígnio original de Deus, ao criar o mundo e o homem. Os homens temem a dispersão, querem ter uma cidade e uma torre, um nome e uma fama, uma unidade linguística e política, que evitem ou dificultem a dispersão e façam deles um império. A descida de Deus para lhes confundir a linguagem não é um gesto punitivo, mas um acto de pura condescendência. Deus quer repor o seu projecto original, porque isso é importante para os homens, mesmo que o não compreendam já. A variedade dos povos sobre a terra não é fruto de uma condenação imposta por Deus mas é fruto da sua condescendência e benevolência em relação ao homem.
O Evangelho de hoje apresenta algumas das condições fundamentais para seguir Jesus: arriscar a própria vida, como Jesus fez, Ele que foi até à Cruz; não colocar os interesses maiores em coisas que valem menos do que a própria vida. Felizes os que desde este mundo sabem nortear a vida por esses valores que a Boa Nova nos revela.
Quem quiser seguir Jesus não pode pretender para si o lugar central, mas há-de cedê-lo a Jesus, dando-Lhe o primado em tudo, também sobre a própria vida. Há que tomar a cruz e, seguindo os passos de Jesus, sair com Ele da cidade, rumo ao suplício. Só ganha a Vida quem estiver disposto a renunciar a si mesmo. Se não nos envergonharmos dele, nem das suas palavras, também Ele não se envergonhará de nós e nos reconhecerá como seus. A vocação original do homem está em fazer comunhão na diferença, no abandono ao projecto inicial de Deus. Quando o homem quer salvar a sua vida, perde-a. Quando é capaz de a dar, de renegar a si mesmo, salva-a.

Thursday, February 17

Quinta-feira da Semana VI do Tempo Comum

Leituras e Reflexão (Portal dos Dehonianos)

Como quando da criação, também depois do dilúvio, é um mundo que surge das mãos de Deus. Deus conclui uma aliança com Noé e seus descendentes. As alianças são geralmente acompanhadas de um sinal que recordará e como que manterá viva essa aliança. Assim, os nossos antepassados viram no arco-íris, que surgiu depois do dilúvio, o sinal bem visível e tão belo dessa aliança, então ainda a Velha Aliança.
Deus promete que não haverá outro dilúvio que destrua a terra ou a vida em qualquer das suas formas. Deus compromete-se; mas também Noé assume compromissos, como é próprio numa aliança. O arco-íris que vemos nas nuvens, depois das chuvas, há-de lembrar-nos que o nosso Deus não é um deus de guerra, mas um Deus de paz.
A pessoa de Jesus é o grande mistério que só a luz de Deus pode desvendar. Foi esta luz que abriu os olhos a Pedro e o levou direito ao essencial: Tu és o Messias, o Cristo, o Ungido de Deus. E foi esta revelação que lhe mereceu ser depois enviado por Jesus ao meio dos homens para os reconduzir a Deus, e finalmente lhe mereceu a graça suprema do testemunho até ao sangue, no seguimento do seu Senhor, que, primeiro do que ele, foi imolado na Cruz. Faltava a Pedro ainda um longo caminho de fé. Não tinha ainda em vista os caminhos de Deus, mas apenas os dos homens. Faltava-lhe subir do homem até Deus; isso, só a ressurreição o viria a realizar.
Os discípulos informam que o povo O vê, não só como um profeta, mas como maior dos profetas, o precursor dos tempos messiânicos. Mas Jesus quer ir mais longe, e interpela directamente os discípulos e Pedro responde em nome da comunidade: Tu és o Messias. Mas Jesus diz que Ele é o Servo sofredor que veio carregar sobre si os nossos pecados para nos fazer passar da morte à vida. E quem quiser ser seu discípulo tem de seguir o mesmo caminho da cruz. Pedro parece perceber tudo muito bem, e é o primeiro a reagir ao escândalo da cruz. Mas Jesus chama-o à ordem: «Vai-te da minha frente» (v. 33), isto é, põe-te atrás de Mim e segue-Me.