Monday, June 7

Segunda-feira da Semana X do Tempo Comum

Leitura do Primeiro Livro dos Reis (1 Reis 17, 1-6)
Naqueles dias, Elias, o tesbita, de Tisbé de Galaad, disse ao rei Acab: «Tão certo como estar vivo o Senhor, Deus de Israel, a quem eu sirvo, não cairá nestes anos nem orvalho nem chuva, senão quando eu disser». Então o Senhor dirigiu a palavra a Elias, dizendo: «Sai daqui, vai para o Oriente e refugia-te junto à torrente de Carit, em frente do Jordão. Beberás da torrente e Eu ordenei aos corvos que te levem alimento». Elias fez como o Senhor lhe tinha dito: partiu e foi viver junto à torrente de Carit, em frente do Jordão. Os corvos traziam-lhe pão e carne de manhã, pão e carne à tarde, e ele bebia da torrente.

Salmo 120 (121)
Refrão: O nosso auxílio vem do Senhor, que fez o céu e a terra.

Levanto os meus olhos para os montes:
donde me virá o auxílio?
O meu auxílio vem do Senhor,
que fez o céu e a terra.

Não permitirá que vacilem os teus passos,
não dormirá Aquele que te guarda.
Não há-de dormir nem adormecer
Aquele que guarda Israel.

O Senhor é quem te guarda,
o Senhor está a teu lado, Ele é o teu abrigo.
O sol não te fará mal durante o dia,
nem a lua durante a noite.

O Senhor te defende de todo o mal,
o Senhor vela pela tua vida.
Ele te protege quando vais e quando vens,
agora e para sempre.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 5, 1-12)
Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa. Assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós».

Ponto de Reflexão
Retomamos hoje a leitura de um dos livros do Antigo testamento. Vamos ter, ao longo desta semana, entrando ainda pela semana seguinte, episódios do chamado ciclo do profeta Elias. Elias é contemporâneo de Acab, rei de Israel, casado com uma rainha estrangeira, pagã, que, em parte, o desviou do culto ao Deus único e verdadeiro. É neste tempo que surge o profeta Elias, homem devorado pelo zelo de Deus, “a quem ninguém se pode comparar”. A sua intervenção, a que hoje se faz referência, logo o apresenta a anunciar momentos duros. Só o homem espiritual, como Elias, poderá ser, ao mesmo tempo, contemporâneo de tempos tão maus e continuar a esperar sempre a misericórdia e a assistência de Deus, como ele as experimentou.
Começamos também a ler hoje o Evangelho de S. Mateus. Este Evangelho consta de cinco discursos de Jesus, intercalados com partes narrativas. O primeiro discurso, que hoje começamos a ler, é conhecido pelo nome de “Sermão da Montanha”. A sua primeira parte, a que constitui a leitura de hoje, são as Bem-aventuranças. Estas são uma série de nove sentenças, as duas últimas das quais, por serem semelhantes, se poderiam sintetizar numa só, dando assim origem ao número tradicional das Oito Bem-aventuranças. Nelas se resume o espírito de todo o Evangelho. Mais do que um código com muitas leis, o Evangelho é, realmente, um espírito, que dá sentido a toda a vida dos discípulos de Cristo.
Oito vezes repete Jesus a palavra «Bem-aventurados». Este sermão da montanha é uma defesa da pessoa humana contra todos os condicionalismos que a impedem de ser livre para querer o bem e ser feliz. No Sermão da montanha Jesus convida a alegrar-se perante o sofrimento e a perseguição, visto ser grande a recompensa no Céu. Só acreditando na ressurreição final, na vida eterna, é possível cumprir um programa de vida deste quilate. Certamente é difícil, mas não impossível. Ele também pediu que fosse afastado esse cálice de amargura, mas aceitou a vontade do Pai. O sofrimento é para a humanidade, o que é o fogo para o ferro: purifica e permite voltar a ser outro na mão do artista.

Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Cromácio de Aquileia (?-407), bispo, Sermão 39; CCL 9A, 169-170

«É que a Lei foi dada por Moisés, mas a graça e a verdade vieram-nos por Jesus Cristo» (Jo 1, 17)
É bom que a nova lei seja proclamada numa montanha, uma vez que a lei de Moisés nos foi dada numa montanha. Uma é composta por dez mandamentos, destinados a formar os homens, tendo em vista a sua conduta na vida presente; a outra consiste em oito bem-aventuranças, porque conduz aqueles que a seguem até à vida eterna e à pátria celeste.
«Felizes os mansos, porque possuirão a terra». Portanto, é necessário ser-se manso, pacífico na alma e sincero de coração. O Senhor mostra claramente que o mérito dos que o são não é pequeno, quando diz: «Possuirão a terra». Trata-se, sem dúvida nenhuma, desta terra da qual está escrito: «Creio, firmemente, vir a contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos» [Sl 27 (26), 13]. A herança dessa terra é a imortalidade do corpo e a glória da ressurreição eterna. Porque a mansidão ignora o orgulho, não conhece a jactância, desconhece a ambição. Além disso, não é sem razão que, noutra ocasião, o Senhor exorta os seus discípulos dizendo: «Tomai sobre vós o Meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito» (Mt 11, 29).
«Felizes os que choram, porque serão consolados.» Não os que choram a perda do que lhes é querido, mas os que choram os seus pecados, se lavam das suas faltas com lágrimas e, certamente, aqueles que choram a iniquidade deste mundo, ou deploram as faltas dos outros.

Pensamentos do Padre Dehon
Feliz o justo que sofre pela justiça! É semelhante ao divino Mestre, que foi o Cordeiro imolado desde o começo, a vítima da salvação, da reparação, da redenção.
Nosso Senhor predisse esta nossa semelhança com Ele: «O discípulo não está acima do Mestre, disse-nos. Como o mundo me persegue, perseguir-vos-á. Sereis como cordeiros entre os lobos. Arrastar-vos-ão diante dos tribunais. Encontrareis contradições até nas vossas famílias. Muitos vos odiarão por causa de Mim. Mas não sereis felizes por vos parecerdes com o vosso Mestre?» (Mt 10) … Os discípulos não estão acima do mestre. Os apóstolos também foram perseguidos, porque anunciavam Cristo e pregavam a redenção, foram presos e flagelados; e voltando do tribunal, alegravam-se por terem tido a graça de sofrerem por Jesus Cristo (At 5, 4). Tiveram todos a heróica coragem de enfrentarem a morte pelo Salvador, e se S. João não morreu no seu suplício, foi por um milagre que não lhe tira o mérito do martírio.
S. Paulo via com alegria a coragem dos seus discípulos na perseguição. Escrevia aos Tessalonicenses: «Gloriamo-nos em vós, nas Igrejas de Deus, por causa da vossa paciência e da vossa fidelidade, no meio das perseguições e das tribulações que tendes de suportar. É o sinal dos desígnios de Deus, o qual vos quer tornar dignos do seu Reino. É por isso que vós sofreis. Mas a seu tempo a todos nos tocará, quando Nosso Senhor descer do céu e aparecer com os anjos, ministros do seu poder» (2Tes 1, 4-7). (Leão Dehon, OSP4, p. 60s.).

Oração
Senhor Jesus, que no alto do monte proclamaste as bem-aventuranças, a nova Lei da nova Aliança, ajuda-me a recordá-la e a vivê-la em todas as circunstâncias da minha vida, para dar ao mundo aquele testemunho profético que me confias como cristão e como consagrado.
A tua santidade é misericórdia e não dureza. Tu declaras felizes os que, à imitação do Pai, são misericordiosos. Que, a cada dureza e a cada injustiça, eu saiba sempre opor, com a ajuda da tua graça, a misericórdia. Foi assim que, Tu mesmo, reagiste às injustiças e aos sofrimentos a que foste submetido.
Uma vez que me ensinaste os mais altos cumes das virtudes, infunde em mim o teu Espírito Santo, que venha em auxílio da minha fragilidade, para que possa alcançá-los e receber o prémio que me reservas. Amen.

1 comment:

Diac. Jose Ruy said...

Muito obrigado pelo blog.
É um serviço que nos enriquece a todos.

Saudações.