Wednesday, August 13

Quarta-feira da Semana XIX do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Ezequiel (Ez 9, 1-7; 10, 18-22)
Eu ouvi o Senhor bradar com voz forte: «Aproximai-vos, flagelos da cidade, cada um com o seu instrumento de morte na mão». E do pórtico superior que dá para o norte saíram seis homens, trazendo cada um na mão o seu instrumento de morte. No meio deles estava um homem vestido de linho, com um estojo de escriba à cintura. Aproximaram-se e pararam junto do altar de bronze. A glória do Deus de Israel elevou-se dos querubins em que poisava e dirigiu-se para o limiar do templo. Depois chamou o homem vestido de linho, que trazia à cintura o estojo de escriba. Disse-lhe o Senhor: «Vai pela cidade, percorre Jerusalém e assinala com uma cruz na fronte os homens que gemem e se lamentam por causa das abominações que nela se praticam». Depois, ouvi o Senhor dizer aos outros: «Percorrei a cidade atrás dele e feri sem piedade e sem compaixão: velhos, novos, donzelas, crianças e mulheres, matai-os, exterminai-os a todos. Mas não toqueis naqueles que foram assinalados com a cruz. Começai pelo meu santuário». E eles começaram pelos anciãos que estavam diante do templo. A seguir, ordenou-lhes: «Profanai o templo, enchei de cadáveres os seus átrios e saí». Eles saíram e continuaram o massacre na cidade. A glória do Senhor deixou o limiar do templo e pairou sobre os querubins. Os querubins abriram as asas e elevaram-se do solo à minha vista, elevando-se as rodas com eles. Pararam à entrada da porta oriental do templo do Senhor e a glória do Deus de Israel pairava sobre eles. Eram os seres vivos que eu tinha visto sob o Deus de Israel, nas margens do rio Quebar, e reconheci então que eram querubins. Cada um tinha quatro faces e quatro asas e, debaixo das asas, uma espécie de mãos humanas. As suas faces eram semelhantes às que eu vira nas margens do rio Quebar. Cada um seguia sempre em frente.

Salmo 112 (113), 1-2.3-4.5- 6 (R. 2)
Refrão: A glória do Senhor está acima dos céus.

Louvai, servos do Senhor,
louvai o nome do Senhor.
Bendito seja o nome do Senhor,
agora e para sempre.

Desde o nascer ao pôr-do-sol,
seja louvado o nome do Senhor.
O Senhor domina sobre todos os povos,
a sua glória está acima dos céus.

Quem se compara ao Senhor nosso Deus,
que tem o seu trono nas alturas
e Se inclina lá do alto
a olhar o céu e a terra?


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 18, 15-20)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se o teu irmão te ofender, vai ter com ele e repreende-o a sós. Se te escutar, terás ganho o teu irmão. Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão fique resolvida pela palavra de duas ou três testemunhas. Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja; e se também não der ouvidos à Igreja, considera-o como um pagão ou um publicano. Em verdade vos digo: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu; e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu. Digo-vos ainda: Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles».


Reflexão
Diante dos pecados de idolatria praticados pelo povo de Jerusalém, Deus envia-lhe um castigo terrível, mas poupa os inocentes. Estes foram marcados na fronte com uma letra em forma de cruz. Não era ainda a cruz cristã, mas podia desde já anunciá-la. O profeta Ezequiel testemunha os desacatos e as profanações realizadas no templo, a condenação da cidade e a salvação dos que permaneceram fiéis. O castigo da cidade pecadora começa com a acção dos seres misteriosos, que percorrem a cidade para exterminar os pecadores, a começar pelos anciãos do templo. Segundo o princípio da retribuição pessoal, cada um é tratado pelo que é e pelo que faz. Mas não é Deus que pune, são os acontecimentos humanos que recaiem sobre quem os provoca.

O Evangelho de hoje tem em vista a vida da comunidade cristã, onde podem acontecer momentos de pecado. A orientação que o Senhor deixa é a correcção fraterna. Os poderes conferidos a Pedro, como chefe da comunidade, atingem também os outros membros da comunidade, que se devem saber reconciliar uns com os outros, sempre que nascerem discórdias. Apresenta um itinerário que leva ao perdão: aproximar do pecador, a sós; repreendê-lo diante de duas ou três testemunhas; interpelá-lo na assembleia. O irmão só pode ser condenado quando teimar permanecer no mal, recusando a conversão e o perdão.

Tuesday, August 12

Terça-feira da Semana XIX do Tempo Comum

 

Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Ezequiel (Ez 2, 8 – 3, 4)
Eis o que diz o Senhor: «Tu, filho do homem, escuta o que te digo; não sejas rebelde, como este povo de rebeldes. Abre a boca e come o que te vou dar». Eu olhei e vi um braço estender-se para mim, tendo na mão um livro em forma de rolo. Desenrolou-o diante de mim e vi que estava escrito pelos dois lados e continha prantos, gemidos e lamentações. Disse-me ainda: «Filho do homem: Come o que aqui tens diante de ti; come este rolo e vai falar à casa de Israel». Abri a boca e ele deu-me o rolo a comer, dizendo: «Filho do homem, alimenta-te e sacia-te com o rolo que eu te dou». Eu comi-o e tornou-se-me na boca tão doce como o mel. Depois disse-me: «Filho do homem, vai ter com a casa de Israel e comunica-lhe as minhas palavras».


Salmo 118 (119), 14 e 24.72 e 103.111 e 131
Refrão: As vossas palavras, Senhor, são mais doces que o mel.

Não há maior riqueza para mim, Senhor,
do que seguir a vossa vontade.
As vossas ordens são as minhas delícias
e os vossos decretos meus conselheiros.

Para mim vale mais a lei da vossa boca
do que milhões em ouro e prata.
Como são doces ao meu paladar as vossas palavras,
mais que o mel para a minha boca.

As vossas ordens são a minha herança eterna,
são a alegria do meu coração.
Eu abro a minha boca e aspiro,
porque estou ávido dos vossos andamentos.



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 18, 1-5.10.12-14)
Naquela hora, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-Lhe: «Quem é o maior no reino dos Céus?». Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles e disse-lhes: «Em verdade vos digo: Se não vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, não entrareis no reino dos Céus. Quem for humilde como esta criança, esse será o maior no reino dos Céus. E quem acolher em meu nome uma criança como esta, acolhe-Me a Mim. Vede bem. Não desprezeis um só destes pequeninos. Eu vos digo que os seus Anjos vêem constantemente o rosto de meu Pai que está nos Céus. Jesus disse ainda: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos».


Reflexão
O profeta, por meio de uma acção simbólica, recebe a missão de anunciar ao povo a palavra de Deus. Ele tem de assimilar primeiro essa palavra para depois a poder anunciar. Essa palavra é cheia de doçura e suavidade. Para a comunicar é preciso, primeiro, alimentar-se dela. A protecção que Deus sempre prestou a Moisés continuará agora a dá-la a Josué; um e outro, anunciam a futura salvação trazida ao povo de Deus por Jesus, seu Filho. O carisma profético é um dom absolutamente gratuito de Deus.
No Evangelho de S. Mateus, começamos a ler o discurso de Jesus sobre a regra da vida comunitária da Igreja. Antes de mais, é preciso fazer-se pequeno como uma criança e defender e respeitar os outros na sua humildade, para se poder viver com verdadeiro espírito de comunidade. Os pequeninos são modelo para os discípulos, porque são dóceis e não se levantam contra quem os ensina.

Monday, August 11

Segunda-feira da Semana XIX do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Ezequiel (Ez 1, 2-5.24-28c)
No dia cinco do mês, no quinto ano do exílio do rei Jeconias, foi dirigida a palavra do Senhor ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, no país dos caldeus, nas margens do rio Quebar. Ali pairou sobre ele a mão do Senhor. Eu vi aproximar-se um vento impetuoso que vinha do norte e uma grande nuvem com um clarão à volta e um fogo cintilante; do meio do fogo irradiava uma espécie de metal refulgente. No centro distinguia-se a imagem de quatro seres vivos que tinham aspecto humano. Quando caminhavam, eu ouvia o ruído das suas asas, semelhante ao marulhar das torrentes caudalosas, semelhante à voz do Omnipotente, como o fragor da tempestade, como o tumulto dum campo de batalha. Mas quando paravam, recolhiam as asas. Ouvia-se uma voz por cima da abóbada que havia sobre as suas cabeças. Sobre a abóbada que havia por cima das suas cabeças, estava uma espécie de pedra de safira em forma de trono e, sobre essa forma de trono, uma figura semelhante a um ser humano. Vi que irradiava como metal brilhante, tendo à volta uma espécie de auréola de fogo, desde o que parecia a cintura para cima. E desde o que parecia a cintura para baixo, vi uma espécie de fogo, irradiando um clarão a toda a volta. Como o arco-íris, que aparece nas nuvens em dias de chuva, assim era o esplendor que o cercava. Era a imagem da glória do Senhor. Quando a vi, caí de rosto por terra.


Salmo 148, 1-2a.11-12.13.14
Refrão: O céu e a terra proclamam a vossa glória.

Louvai o Senhor do alto dos céus,
louvai-O nas alturas,
louvai-O, todos os seus Anjos.

Reis e povos do mundo,
príncipes e todos os juízes da terra,
jovens e donzelas, velhos e crianças;

Louvem todos o nome do Senhor,
porque o seu nome é sublime,
a sua majestade está acima do céu e da terra.

Exaltou a força do seu povo:
louvem-n’O todos os seus fiéis,
os filhos de Israel, seu povo eleito.



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 17, 22-27)

Naquele tempo, estando ainda Jesus e os discípulos na Galileia, disse-lhes Jesus: «O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos homens, que hão-de matá-l’O; mas Ele ao terceiro dia ressuscitará». Os discípulos ficaram profundamente consternados. Quando chegaram a Cafarnaum, os cobradores das didracmas aproximaram-se de Pedro e perguntaram-lhe: «O vosso Mestre não paga a didracma?». Pedro respondeu-lhes: «Paga, sim». Quando chegou a casa, Jesus antecipou-Se e disse-lhe: «Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos ou tributos? Dos filhos ou dos estranhos?». E como ele respondesse que era dos estranhos, Jesus disse-lhe: «Então os filhos estão isentos. Mas para não os escandalizarmos, vai ao mar e deita o anzol. Apanha o primeiro peixe que morder a isca, abre-lhe a boca e encontrarás um estáter. Pega nele e paga-lhes o imposto por Mim e por ti».


Reflexão
Este texto apresenta-nos a teofania em que Deus se revela e manifesta a sua glória ao profeta. Com imagens espectaculares, Ezequiel refere a sua experiência de Deus, junto do rio Cabar. A glória de Deus transfere-se do templo de Jerusalém para junto dos desterrados. Deus não é propriedade de um povo, não está eternamente ligado nem ao templo nem à terra prometida. Deus é força, é luz… Os seres viventes significam algumas prerrogativas divinas: a inteligência, a força, o poder, a rapidez. A tradição cristã medieval verá essas imagens, retomados no Apocalipse, símbolos dos quatro evangelistas.
A leitura começa por anunciar a Paixão e Ressurreição do Senhor. Jesus nunca separa uma da outra, porque o mistério pascal da nossa salvação é a passagem da morte à vida, deste mundo para o Pai, pela Cruz. Jesus vê agora, não com os olhos do eu pessoal, que tem de se inclinar perante uma vontade superior mas com os olhos do Filho do homem para quem nada está oculto. A paixão, entrega na mão de todos os homens, torna-se entrega nas mãos do Pai, manifestação da sua glorificação.

Friday, August 8

S. Domingos de Gusmão


São Domingos nasceu em Caleruega, em Castela-a-Velha, no ano de 1170. De família nobre, e de belo rosto, acostumou-se desde jovem a duras penitências. De caráter metódico e firmíssimo, deu grande importância aos estudos, como premissa indispensável ao dever apologético dos frades pregadores. Aos 14 anos de idade, foi enviado para Palência, onde estudou filosofia e teologia. Como sacerdote e cônego de Osma distinguiu-se pela rectidão, zelo, pontualidade nas funções e espírito de sacrifício. Pregou com êxito contra os hereges albigenses, que defendiam a existência de dois princípios, de duas divindades: o Bem e o Mal.
Estudo e pobreza são os dois pontos principais da Ordem dominicana, o programa de vida dos frades mendicantes que vestem o hábito de São Domingos, contemporâneo de outro grande e amado santo fundador, São Francisco de Assis.
São Domingos morreu em Bolonha no dia seis de Agosto do ano 1221 e foi proclamado santo, 13 anos após a morte, em 1234.

Sexta-feira da Semana XVIII do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Naum (Naum 2, 1.3; 3, 1-3.6-7)
Vede sobre os montes os passos do mensageiro que anuncia a paz. Celebra as tuas festas, Judá, cumpre os teus votos, porque o malfeitor não voltará a passar por ti, ele foi totalmente destruído. O Senhor restaurou o esplendor de Jacob e o esplendor de Israel, porque os salteadores a tinham saqueado, devastando os seus sarmentos. Ai da cidade sanguinária, cheia de perfídia, repleta de despojos, onde não cessa a pilhagem! Ouve-se o estalar do chicote, o estrépito das rodas, o galope dos cavalos, o baloiçar dos carros. Arremetem os cavalos, brilham as espadas, cintilam as lanças. Depois, multidão de feridos, mortos sem conta, cadáveres sem fim, nos quais se tropeça! «Vou cobrir-te de imundície, lançar-te na ignomínia e expôr-te à vergonha pública – diz o Senhor –. Quem te vir fugirá de ti, dizendo: ‘Nínive está devastada! Quem terá compaixão dela?’ Onde encontrarei quem te console’».


Salmo Responsorial: Deut 32, 35cd-36ab.39abcd.41
Refrão: Eu sou o Senhor da morte e da vida.

Está próximo o dia da ruína,
iminente o seu destino,
porque o Senhor defenderá o seu povo,
terá piedade dos seus servos.

Reconhecei agora que Eu sou Deus
e não há outro além de Mim.
Sou o Senhor da morte e da vida:
nada escapa ao meu poder.

Quando desembainhar a minha espada fulgurante,
quando tomar em minhas mãos a sentença,
tirarei desforra dos meus inimigos,
retribuirei aos meus adversários.



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 16, 24-28)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Que poderá dar o homem em troca da sua vida? O Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus Anjos, e então dará a cada um segundo as suas obras. Em verdade vos digo: Alguns dos que estão aqui presentes não morrerão, antes de verem chegar o Filho do homem na glória do seu reino».


Reflexão
O profeta é um mensageiro que anuncia boas novas: a cidade opressora, Nínive, tem os seus dias contados, vai cair em ruínas, o povo de Deus voltará aos seus belos dias de paz e de alegria. Mas, libertação total e definitiva, só o Filho de Deus a virá anunciar.
Depois de lhes anunciar a sua Paixão, Jesus ensina aos seus que é preciso segui-l’O também no sofrimento e na morte. Mas Ele virá e também os fará depois participantes na sua glória de Ressuscitado. E este é o maior desejo do homem: viver, superar a morte. Para salvar a vida, o homem dará tudo o mais, porque nada ganhará quem vier a perder a vida.

Thursday, August 7

Pensamento do dia: 07-08-2014

Quanto mais agradamos, em geral tanto menos profundamente agradamos. (Stendhal: 1783-1842, escritor francês)

Quinta-feira da Semana XVIII do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura do Livro de Jeremias
Dias virão, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova. Não será como a aliança que firmei com os seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egipto, aliança que eles violaram, embora Eu exercesse o meu domínio sobre eles, diz o Senhor. Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, naqueles dias, diz o Senhor: Hei-de imprimir a minha lei no íntimo da sua alma e gravá-la-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Já não terão de se instruir uns aos outros, nem de dizer cada um a seu irmão: «Aprendei a conhecer o Senhor». Todos eles Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno, diz o Senhor. Porque vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas.


Salmo 50 (51)
Refrão: Dai-me, Senhor, um coração puro.

Criai em mim, ó Deus, um coração puro
e fazei nascer dentro de mim um espírito firme.
Não queirais repelir-me da vossa presença
e não retireis de mim o vosso espírito de santidade.

Dai-me de novo a alegria da vossa salvação
e sustentai-me com espírito generoso.
Ensinarei aos pecadores os vossos caminhos
e os transviados hão-de voltar para Vós.

Não é do sacrifício que Vos agradais
e, se eu oferecer um holocausto, não o aceitareis.
Sacrifício agradável a Deus é o espírito arrependido:
não desprezeis, Senhor,
um espírito humilhado e contrito.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 16, 13-23)
Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus». Então, Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que Ele era o Messias. E começou a explicar aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; que tinha de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Pedro, tomando-O à parte, começou a contestá-l’O, dizendo: «Deus Te livre de tal, Senhor! Isso não há-de acontecer!» Jesus voltou-Se para Pedro e disse-lhe: «Vai-te daqui, Satanás. Tu és para mim uma ocasião de escândalo, pois não tens em vista as coisas de Deus, mas dos homens».


Reflexão
O texto que hoje escutamos é o testemunho espiritual de Jeremias, síntese do seu pensamento e da sua obra e síntese de toda a literatura profética: o oráculo da nova Aliança, no Livro da Consolação de Jeremias.
Esta nova Aliança será diferente da primeira, a do Sinai: Não será como a aliança que estabeleci com seus pais, quando os tomei pela mão para os fazer sair da terra do Egipto. Enquanto no Sinai as leis foram escritas em tábuas de pedra, eram leis exteriores, que não mudavam o coração do homem, agora são escritas no coração da pessoa, são leis interiores: Imprimirei a minha lei no seu íntimo e gravá-la-ei no seu coração.
Antes de anunciar aos discípulos a sua morte, Jesus pede-lhes um acto de fé n’Ele. É Pedro quem o faz. A este acto de fé, em que Pedro declara: “Tu és o Messias...”, Jesus responde imediata e directamente: Tu és Pedro, recebe de Jesus plena autoridade sobre a comunidade dos discípulos. A Igreja será edificada, como sobre uma rocha, sobre este acto de fé de Pedro. Mas, se Pedro professa a fé no Filho de Deus também recusa que Ele seja o Servo Sofredor porque o seu ponto de vista se opõe ao de Deus, e é obstáculo para Jesus cumprir a vontade do Pai.

Wednesday, August 6

Transfiguração do Senhor


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Daniel (Dan 7, 9-10.13-14)
Estava eu a olhar, quando foram colocados tronos e um Ancião sentou-se. As suas vestes eram brancas como a neve e os cabelos como a lã pura. O seu trono eram chamas de fogo, com rodas de lume vivo. Um rio de fogo corria, irrompendo diante dele. Milhares de milhares o serviam e miríades de miríades o assistiam. O tribunal abriu a sessão e os livros foram abertos. Contemplava eu as visões da noite, quando, sobre as nuvens do céu, veio alguém semelhante a um filho do homem. Dirigiu-Se para o Ancião venerável e conduziram-no à sua presença. Foi-lhe entregue o poder, a honra e a realeza, e todos os povos e nações O serviram. O seu poder é eterno, que nunca passará, e o seu reino jamais será destruído.


Salmo 96 (97), 1-2.5-6.9 e 12 (R. 1a.9a)
Refrão: O Senhor é rei, o Altíssimo sobre toda a terra.

O Senhor é rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas.
Ao seu redor, nuvens e trevas;
a justiça e o direito são a base do seu trono.

Derretem-se os montes como cera
diante do senhor de toda a terra.
Os céus proclamam a sua justiça
e todos os povos contemplam a sua glória.

Vós, Senhor, sois o Altíssimo sobre toda a terra,
estais acima de todos os deuses.
Alegrai-vos, ó justos, no Senhor
e louvai o seu nome santo.



Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 17, 1-9)
Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João seu irmão e levou-os, em particular, a um alto monte e transfigurou-Se diante deles: o seu rosto ficou resplandecente como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram Moisés e Elias a falar com Ele. Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias». Ainda ele falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e da nuvem uma voz dizia: «Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência. Escutai-O». Ao ouvirem estas palavras, os discípulos caíram de rosto por terra e assustaram-se muito. Então Jesus aproximou-se e, tocando-os, disse: «Levantai-vos e não temais». Erguendo os olhos, eles não viram mais ninguém, senão Jesus. Ao descerem do monte, Jesus deu-lhes esta ordem: «Não conteis a ninguém esta visão, até o Filho do homem ressuscitar dos mortos».


Reflexão
A festa da Transfiguração, celebrada no Oriente desde o século V e no Ocidente a partir de 1457, faz-nos reviver um acontecimento importante da vida de Jesus, com reflexos na nossa vida porque também iremos ser transfigurados em Jesus Cristo. A Transfiguração foi uma manifestação da vida divina, que está em Jesus, uma antecipação do esplendor do mistério pascal que os Apóstolos contemplaram. Na Transfiguração, temos a certeza que Jesus é realmente Filho de Deus pois Ele transfigurou-se diante deles, o Seu corpo ficou luminoso e as Suas vestes resplandecentes. A voz de Deus convida-nos a contemplar a divindade de Cristo que se manifesta aos olhos dos homens.
São Pedro gostando da companhia e do lugar de encontro disse a Jesus: Senhor, como é bom estarmos aqui! Se quiseres, farei três tendas: uma para Ti, outra para Moisés e outra para Elias. Porém, Jesus quer que os seus discípulos não fiquem constantemente iluminados, transfigurados e sempre com a presença física de Jesus, de Elias e de Moisés mas devem descer o monte Tabor e continuar a sua vida, ajudando a proclamar a Boa Nova a todos os irmãos. Há muito trabalho missionário para os discípulos de Jesus. No final, Jesus alerta-os para que não tenham medo porque se estão com Ele, não há nada a recear.

Tuesday, August 5

Pensamento do dia: 05-08-2014

A nossa relação com a verdade passa pelo outro. (Merleau-Ponty)

Terça-feira da Semana XVIII do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura do Livro de Jeremias (Jer 30, 1-2.12-15.18-22)
Palavra que o Senhor dirigiu ao profeta Jeremias: Eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: «Escreve num livro todas as palavras que Eu te disse. Assim fala o Senhor: É incurável a tua ferida, a tua chaga não tem remédio. Ninguém se interessa por ti, para defender a tua causa; para uma úlcera há remédios, mas para ti não existe cura. Todos os teus amigos te esqueceram e nem perguntam por ti. Porque Eu te feri como fere um inimigo e o castigo foi severo, por causa das tuas grandes culpas, dos teus inúmeros pecados. Porque te queixas da tua ferida, do teu mal que não tem cura? Foi pelas tuas grandes culpas, pelos teus inúmeros pecados, que Eu te tratei assim». Assim fala o Senhor: «Restaurarei as tendas de Jacob e terei compaixão das suas moradas. A cidade será reconstruída sobre as suas ruínas e a fortaleza reedificada no seu verdadeiro lugar. Deles sairão hinos de louvor e brados de alegria. Multiplicá-los-ei e não mais serão reduzidos; exaltá-los-ei e não mais serão humilhados. Os seus filhos serão como outrora, a sua assembleia será estável diante de Mim e castigarei todos os seus opressores. De entre eles surgirá um chefe, do meio deles sairá um soberano. Chamá-lo-ei e ele virá à minha presença. Aliás, quem arriscaria a vida aproximando-se de Mim? – diz o Senhor – Mas vós sereis o meu povo e Eu serei o vosso Deus».


Salmo 101 (102), 16-18.19-21.29 e 22-23
Refrão: Quando o Senhor restaurar Sião, manifestará a sua glória.

Os povos temerão, Senhor, o vosso nome,
todos os reis da terra a vossa glória.
Quando o Senhor reconstruir Sião
e manifestar a sua glória,
atenderá a súplica do infeliz
e não desprezará a sua oração.

Escreva-se tudo isto para as gerações futuras
e o povo que se há-de formar louvará o Senhor.
Debruçou-Se do alto da sua morada,
lá do Céu o Senhor olhou para a terra,
para ouvir os gemidos dos cativos,
para libertar os condenados à morte.

Os filhos dos vossos servos hão-de permanecer
e a sua descendência se perpetuará na vossa presença,
para ser proclamado em Sião o nome do Senhor
e em Jerusalém o seu louvor,
quando se reunirem todos os reinos
para servirem o Senhor.


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 15, 1-2.10-14)
Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns fariseus e escribas, vindos de Jerusalém, e perguntaram-Lhe: «Porque desobedecem os teus discípulos à tradição dos antigos e não lavam as mãos antes de comer?». Jesus chamou a multidão para junto de Si e disse-lhes: «Ouvi-Me e procurai compreender: Não é o que entra na boca que torna o homem impuro. O que sai da boca é que o torna impuro». Então os discípulos aproximaram-se e disseram-Lhe: «Sabes que os fariseus ficaram ofendidos ao ouvirem as tuas palavras?». Mas Jesus respondeu-lhes: «Toda a planta que não foi plantada por meu Pai será arrancada. Deixai-os. São cegos a guiarem cegos. E se um cego guia outro cego, acabam por cair ambos numa cova».

Monday, August 4

São João Maria Vianney



Conhecido também como Cura D´Ars, S. João Maria Vianney nasceu em Dardilly, na França, em 1786. Era um camponês de mente rude e, segundo contam, tinha poucos dotes pessoais. Teve que se esconder por algum tempo por haver desertado do exército napoleónico na marcha para a Espanha. Nem sequer soube a gravidade desse acto, que se deveu ao facto de não ter conseguido acertar o passo com o seu batalhão.
Os seus mestres de seminário ficavam muito desanimados com o seu péssimo desempenho mental. Mas devido ao modelo de piedade que era, o Vigário geral resolveu aprová-lo e deixar que a providência se encarregasse do resto.
Em 1815, deram-lhe as ordens sagradas. Porém havia uma condição: não poderia confessar, por julgarem-no incapaz de guiar as consciências.
Após um ano de aprendizado com o abade Balley, em Ecculy, foi para Ars, primeiramente com o título de vigário capelão e depois veio a ser vigário ou cura.

Tuesday, July 15

Terça-feira da Semana XV do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura do Livro de Isaías (Is 7, 1-9)
No tempo em que Acaz, filho de Jotão, filho de Ozias, era rei de Judá, Rason, rei dos arameus, e Pecá, filho de Romélia, rei de Israel, marcharam contra Jerusalém para a atacarem, mas não puderam conquistá-la. Quando chegou a notícia à casa de David de que os arameus tinham acampado em Efraim, o coração do rei e do povo estremeceu, como se agitam as árvores da floresta batidas pelo vento. O Senhor disse então a Isaías: «Vai ao encontro de Acaz, com teu filho Sear-Jasub, no extremo do aqueduto da piscina superior, que fica na estrada do Campo do Pisoeiro, e diz-lhe: Tem cuidado, mas não temas; não desanimes nem te assustes à vista desses dois tições fumegantes, da fúria de Rason, rei dos arameus, e do filho de Romélia. Os arameus, com Efraim e o filho de Romélia, decidiram fazer-te mal e disseram: ‘Marchemos contra Judá, para o intimidar, vamos invadi-lo, para que se renda, e estabeleceremos nele como rei o filho de Tabeel’. Assim fala o Senhor Deus: Isto não acontecerá, isto não se realizará. A capital dos arameus é Damasco e o chefe de Damasco é Rason; a capital de Efraim é Samaria e o chefe de Samaria é o filho de Romélia. Mas dentro de sessenta e cinco anos, Efraim será arrasado e deixará de ser um povo. Contudo, se não tiverdes fé, não podereis sobreviver».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 11, 20-24)
Naquele tempo, começou Jesus a censurar duramente as cidades em que se tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido: «Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidónia se tivessem realizado os milagres que em vós se realizaram, há muito teriam feito penitência, vestindo-se de cilício e cobrindo-se de cinza. Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para Tiro e Sidónia do que para vós. E tu, Cafarnaum, serás exaltada até ao céu? Até ao inferno é que descerás. Porque se em Sodoma se tivessem realizado os milagres que em ti se realizaram, ela teria permanecido até hoje. Mas Eu vos digo que no dia do Juízo haverá mais tolerância para a terra de Sodoma do que para ti».


Reflexão
Diante de uma situação em que humanamente não poderia haver grande esperança de salvação, Deus envia o seu profeta para incutir ao rei confiança em lugar do medo de que ele estava possuído. Mas Isaías insiste que a única garantia de estabilidade é a fé, que põe à nossa disposição a força de Deus. Na iminência da invasão, o rei treme e agita-se. Mas Deus, pelo profeta, diz-lhe: Tranquiliza-te, tem calma, é um convite à fé e à confiança n´Aquele que pode salvar. Precisamos de regressar a esta atitude de fé e confiança em Deus.
Quanto maior foi o conhecimento que se tem da Palavra de Deus, maior é a responsabilidade diante de Deus. Por isso, maior é a responsabilidade das terras onde chegou a mensagem do Evangelho do que a daquelas onde ela nunca chegou. Os milagres de Jesus revelavam a sua identidade e eram prova da acção do Espírito e da misericórdia de Deus; eram acções pedagógicas para levar ao acolhimento de Jesus e da sua mensagem, na fé. As cidades pecadoras, tal como Tiro, Sídon e Sodoma, são potencialmente mais dispostas ao Evangelho e à conversão. Precisamos pedir ao Senhor um coração novo: convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos. Deus é quem nos dá a graça de começarmos de novo e assim os nossos corações voltar-se-ão para Ele.

Thursday, July 10

Quinta-feira da Semana XIV do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Oseias (Os 11, 1-4.8c-9)

Eis o que diz o Senhor: «Quando Israel era ainda criança, já Eu o amava; e, para o fazer sair do Egipto, chamei o meu filho. Mas quanto mais Eu os chamava, mais eles se afastavam de Mim. Ofereciam sacrifícios a Baal e queimavam incenso aos ídolos. Contudo, Eu ensinava Efraim a andar e trazia-o nos braços; mas não compreenderam que era Eu quem cuidava deles. Atraía-os com laços humanos, com vínculos de amor. Tratava-os como quem pega um menino ao colo, inclinava-Me para lhes dar de comer. O meu coração agita-se dentro de Mim, estremece de compaixão. Não cederei ao ardor da minha ira, nem voltarei a destruir Efraim. Porque Eu sou Deus e não homem, sou o Santo no meio de ti e não venho para destruir».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 10, 7-15)

Naquele tempo, disse Jesus aos seus Apóstolos: «Ide e proclamai que está próximo o reino dos Céus. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, sarai os leprosos, expulsai os demónios. Recebestes de graça; dai de graça. Não adquirais ouro, prata ou cobre, para guardardes nas vossas bolsas; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado; porque o trabalhador merece o seu sustento. Quando entrardes em alguma cidade ou aldeia, procurai saber de alguém que seja digno e ficai em sua casa até partirdes daquele lugar. Ao entrardes na casa, saudai-a, e se for digna, desça a vossa paz sobre ela; mas se não for digna, volte para vós a vossa paz. Se alguém não vos receber nem ouvir as vossas palavras, saí dessa casa ou dessa cidade e sacudi o pó dos vossos pés. Em verdade vos digo que haverá mais tolerância, no dia do Juízo, para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade».

Reflexão
Na 1ª leitura, estamos diante de um dos mais importantes textos em ordem à revelação de Deus-Amor: é a contemplação silenciosa e reconhecida dos intensos e manifestos sentimentos paternais de Deus. O profeta fala-nos de Deus como Pai extremamente terno, que recorda ao filho, Israel, os tempos remotos em que, arrancando-o da escravidão do Egipto, o conduziu suavemente pela mão. O povo repetidas vezes tombava na idolatria. Mas Deus estava sempre ao seu lado, para o retomar nos braços e lhe manifestar amor, com expressões que tocavam as mais íntimas cordas da humana sede de ser amado, procurando persuadi-lo sobre a força, a fidelidade e a misericórdia desse amor pelo homem.
No Evangelho, os discípulos devem anunciar a presença do Reino e, sobretudo, Jesus. Quem acreditar que o Reino é o Senhor, e viver como Ele, torna-se sinal da sua presença e pode realizar curas, ressuscitar mortos, curar leprosos, expulsar demónios. O missionário deve avançar desarmado: Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado. Sabe que tem direito ao sustento mas contenta-se com o necessário. Permanecerá junto de quem for digno de acolhê-lo. Levará consigo o sinal distintivo, que é a paz. Quem a acolhe, acolhe o reino de Deus e todas as suas promessas de bênção.

Wednesday, July 9

Quarta-feira da Semana XIV do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Oseias (Os 10, 1-3.7-8.12)
Israel era uma vinha exuberante, que produzia os seus frutos. Quanto mais abundantes eram os frutos, mais aumentavam os altares. Quanto mais rica se tornava a sua terra, mais belos eram os monumentos pagãos. O coração de Israel está dividido, mas agora eles têm de pagar: o próprio Senhor derrubará os seus altares, destruirá os seus monumentos pagãos. Então eles vão dizer: «Não temos rei, porque não tememos o Senhor; e ainda que o tivéssemos, que poderia o rei fazer por nós?». Samaria desaparece com o seu rei, como uma palha à tona da água. Serão destruídos os lugares altos da idolatria, que eram o pecado de Israel; espinheiros e cardos crescerão sobre os seus altares. E gritarão às montanhas: «Cobri-nos!» e às colinas: «Caí sobre nós!». – Semeai segundo a justiça e colhereis o fruto da misericórdia; arroteai novas terras, porque já é tempo de procurar o Senhor, até que Ele venha derramar sobre vós a chuva da justiça.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 10, 1-7)
Naquele tempo, Jesus chamou a Si os seus Doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos impuros e de curar todas as doenças e enfermidades. São estes os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. Jesus enviou estes Doze, dando-lhes as seguintes instruções: «Não sigais o caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. Ide primeiramente às ovelhas perdidas da casa de Israel. Pelo caminho, proclamai que está perto o reino dos Céus».


Reflexão
A 1ª leitura de hoje é um aviso e um convite à conversão, porque o Senhor acolherá quem O procurar. O profeta começa por recorrer à imagem da vinha. Israel é semelhante a um agricultor que, tendo enriquecido com os produtos da sua vinha, descambou para o materialismo, para o esquecimento de Deus, e para a idolatria. O povo lamenta-se por não ter um rei como os outros povos, mas o profeta afirma que, sem Deus, Israel está perdido, tenha ou não um rei.
No Evangelho, aparece, pela primeira vez, a lista dos que são aqui chamados os doze Apóstolos que corresponde no Novo Testamento aos doze patriarcas das doze tribos de Israel do Antigo Testamento. O povo de Deus na Igreja é o ponto de chegada do povo eleito que vinha já do Antigo Testamento. O novo povo de Deus tem as características da universalidade, que o número 12 significa. Jesus, novo Moisés, funda o novo povo de Deus, a Igreja. Os Doze são chamados para estarem com o Senhor e ser enviados por Ele aos irmãos, levam em si a própria missão de Jesus, que é também, o Enviado do Pai. Foram chamados pelo nome e confere-lhes o seu poder que se manifesta na vitória sobre as forças demoníacas e na cura de doenças como antecipação e sinal do Reino de Deus.

Tuesday, July 8

Terça-feira da Semana XIV do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Oseias (Os 8, 4-7.11-13)

Eis o que diz o Senhor: «Os filhos de Israel nomearam reis sem o meu consentimento, escolheram chefes sem Me terem consultado. Com a prata e o ouro que possuíam, fabricaram ídolos para sua perdição. – Considero abominável, ó Samaria, o bezerro que adoras! – Contra eles se inflamou a minha ira: até quando serão incapazes de se purificarem? Aquele ídolo provém de Israel; foi um artífice que o fez, ele não é Deus! Mas o bezerro de Samaria será feito em pedaços: já que semeiam ventos, colhem tempestades. Caule sem espiga não produz farinha; e ainda que a produzisse, os estrangeiros a comeriam. Efraim levantou muitos altares, mas só lhe serviram para pecar ainda mais. Se Eu lhe puser por escrito mil preceitos da minha lei, serão considerados como obra de um estranho. Eles oferecem sacrifícios e comem a carne imolada, mas o Senhor não os aceitará. O Senhor recordará o seu pecado e castigará as suas faltas e eles terão de voltar para o Egipto».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 9, 32-38)
Naquele tempo, apresentaram a Jesus um mudo possesso do demónio. Logo que o demónio foi expulso, o mudo falou. A multidão ficou admirada e dizia: «Nunca se viu coisa semelhante em Israel». Mas os fariseus diziam: «É pelo príncipe dos demónios que Ele expulsa os demónios». Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todas as doenças e enfermidades. Ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão, porque andavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Jesus disse então aos seus discípulos: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara».


Reflexão
Grande parte da pregação dos profetas é dirigida a um povo infiel. Oseias proclama o amor de Deus, sempre fiel e rico em misericórdia e manifesta que Deus desaprova o comportamento corrupto de Israel, que não pode ficar sem castigo. Na leitura de hoje fala-se da idolatria, da substituição de Deus por deuses falsos, de deuses mais concretos, mais visíveis, mais palpáveis. Tal maneira de proceder é uma sementeira de ventos, que só pode dar como colheita a tempestade.
Jesus disse aos seus discípulos: A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara. Jesus convida os discípulos a rezar ao Pai para que suscite pessoas dispostas a segui-Lo na tarefa da evangelização, semelhante ao trabalho da ceifa. Pede também que nós saibamos rezar para que Ele suscite no coração dos homens ministros do Seu Reino que sejam capazes de levar aos simples e aos que O querem seguir a Sua mensagem, a Sua Boa Nova.

Monday, July 7

Segunda-feira da Semana XIV do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Oseias (Os 2, 16.17b-18.21-22)
Eis o que diz o Senhor: «Hei-de atrair ao meu amor a casa de Israel, hei-de conduzi-la ao deserto e falar-lhe ao coração. Ali corresponderá como nos dias da sua juventude, quando saiu da terra do Egipto. Nesse dia, diz o Senhor, chamar-Me-ás ‘meu marido’ e não ‘meu baal’. Farei de ti minha esposa para sempre, desposar-te-ei segundo a justiça e o direito, com amor e misericórdia. Desposar-te-ei com fidelidade e tu conhecerás o Senhor».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 9, 18-26)
Naquele tempo, estava Jesus a falar aos seus discípulos, quando um chefe se aproximou e se prostrou diante d’Ele, dizendo: «A minha filha acaba de falecer. Mas vem impor a mão sobre ela e viverá». Jesus levantou-Se e acompanhou-o com os discípulos. Entretanto, uma mulher que sofria um fluxo de sangue havia doze anos, aproximou-se por detrás d’Ele e tocou-Lhe na fímbria do manto, pensando consigo: «Se eu ao menos Lhe tocar no manto, ficarei curada». Mas Jesus voltou-Se e, ao vê-la, disse-lhe: «Tem confiança, minha filha. A tua fé te salvou». E a partir daquele momento a mulher ficou curada. Ao chegar a casa do chefe e ao ver os tocadores de flauta e a multidão em grande alvoroço, Jesus disse-lhes: «Retirai-vos, porque a menina não morreu; está a dormir». Riram-se d’Ele. Mas quando mandou sair a multidão, Jesus entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se. E a notícia divulgou-se por toda aquela terra.


Reflexão
A comparação do amor de Deus pelos homens com o amor que une o homem e a mulher é célebre na Sagrada Escritura, particularmente no profeta Oseias. Foi com tal comparação que Deus quis chamar à razão o povo que, em momento de prosperidade material, se havia esquecido d’Ele. Oseias, cuja vida familiar lhe fizera conhecer os altos e baixos da alegria doméstica, pode justamente pôr na boca de Deus uma queixa dolorosa contra o seu povo, rebelde e infiel. Mas Deus propôs-se reconduzir ao seu amor, sempre fiel, esse povo, a quem ofereceu as primeiras grandes manifestações de amor nos tempos da travessia do deserto.
Acreditar em Jesus, dar-Lhe espaço em nós, acolher a sua pessoa, é acolher a Vida. Viver é caminhar na fé, tocar e deixar-se tocar por Cristo vivo na Palavra, na eucaristia e no próximo. Estamos perante dois milagres de Jesus. Um, salva da doença; o outro para resgatar da morte. Ambos se dão porque quem os pede tem fé n'Aquele que salva, n'Aquele que dá a vida. Aliada a esta fé imensa, vemos a esperança na salvação. Os milagres de Jesus mostram já a chegada do Reino de Deus, são uma manifestação do amor de Cristo que veio curar o homem.

Thursday, July 3

Festa de São Tomé, Apóstolo


Liturgia da Palavra

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios (Ef 2, 19-22)
Irmãos: Já não sois estrangeiros nem hóspedes, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o alicerce dos Apóstolos e dos Profetas, que tem Cristo como pedra angular. Em Cristo, toda a construção, bem ajustada, cresce para formar um templo santo do Senhor; e em união com Ele, também vós sois integrados na construção, para vos tornardes, no Espírito Santo, morada de Deus. 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 20, 24-29)
Naquele tempo, Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: «Vimos o Senhor». Mas ele respondeu-lhes: «Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei». Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez em casa e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, apresentou-Se no meio deles e disse: «A paz esteja convosco». Depois disse a Tomé: «Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; aproxima a tua mão e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente». Tomé respondeu-Lhe: «Meu Senhor e meu Deus!». Disse-lhe Jesus: «Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto».


São Tomé
O martirológio jeronimiano do século VI coloca no dia 3 de Julho a transladação do corpo de S. Tomé para Edessa, na actual Turquia. Este apóstolo, também chamado Dídimo, é-nos dado a conhecer sobretudo por S. João evangelista. É Tomé que convida os outros apóstolos a acompanharem Jesus para a Judeia, para morrerem com Ele (Jo 11, 16). É a pergunta de Tomé que leva Jesus a definir-se: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14, 5s.). Finalmente, Tome, com a sua incredulidade, que se desvaneceu na presença de Cristo ressuscitado, ajuda-nos a fortalecer a nossa adesão a Jesus, por meio de uma profissão de fé muito clara, a fé pascal da Igreja: Meu Senhor e meu Deus! (Jo 20, 24-29). Temperamento audacioso e cheio de generosidade, percorreu as etapas da fé e professou que Jesus era realmente Deus e Senhor. Como escreve S. Gregório Magno, A incredulidade de Tomé foi mais útil à nossa fé do que a fé dos discípulos crentes. Após o Pentecostes, partiu em missão. Sobre a sua vida nada se sabe ao certo, além dos pormenores contidos no Evangelho. Diz-se que pregou o Evangelho na Índia.
O caso do Apóstolo Tomé é importante para nós pelo menos por três motivos: primeiro, porque nos conforta nas nossas inseguranças; segundo porque nos demonstra que qualquer dúvida pode levar a um êxito luminoso além de qualquer incerteza; e por fim, porque as palavras dirigidas a ele por Jesus nos recordam o verdadeiro sentido da fé madura e nos encorajam a prosseguir pelo nosso caminho de adesão a Ele.

Wednesday, July 2

Quarta-feira da Semana XIII do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Amós (Am 5, 14-15.21-24)
Procurai o bem e não o mal, para que vivais. Assim, o Senhor, Deus do Universo, estará convosco, como vós dizeis. Detestai o mal e amai o bem, restabelecei a justiça no tribunal. Talvez o Senhor, Deus do Universo, tenha compaixão dos sobreviventes de José. Eu detesto e desprezo as vossas festas, desgostam-Me as vossas reuniões sagradas. Se Me ofereceis holocaustos e oblações, Eu não quero aceitá-los; e para os vossos sacrifícios de animais gordos, nem sequer Me digno olhar. Afastai de Mim o barulho dos vossos cânticos, que Eu não quero ouvir o som das vossas harpas. Mas fazei que o direito corra como as águas e a justiça como rio inesgotável.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 8, 28-34)
Naquele tempo, quando Jesus chegou à região dos gadarenos, na outra margem do lago, vieram ao seu encontro, saindo dos túmulos, dois endemoninhados. Eram tão furiosos que ninguém se atrevia a passar por aquele caminho. E disseram aos gritos: «Que tens que ver connosco, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?». Ora, perto dali, andava a pastar uma grande vara de porcos. Os demónios suplicavam a Jesus, dizendo: «Se nos expulsas, manda-nos para a vara de porcos». Jesus respondeu-lhes: «Então ide». Eles saíram e foram para os porcos. Então os porcos precipitaram-se pelo despenhadeiro abaixo e afogaram-se no lago. Os guardadores fugiram e foram à cidade contar tudo o que acontecera, incluindo o caso dos endemoninhados. Toda a cidade saiu ao encontro de Jesus. Quando O viram, pediram-Lhe que Se retirasse do seu território.


Reflexão
O profeta continua a censurar o mau proceder do povo, aos pecados contra a justiça para com os outros que não pode ser substituída por expressões exteriores de vida religiosa, pois que a verdadeira religião começa no coração. Se buscarem a Deus, hão-de viver, porque Deus é o princípio de toda a existência. Detestar o mal, amar o bem, permite viver na presença do Senhor.
O culto que Deus exige de nós é uma vida em consonância com a sua vontade, com a sua justiça, com a sua generosidade. O importante é buscar o bem e não o mal.
O importante deste Evangelho é o triunfo de Jesus sobre os demónios. Realizando o exorcismo, em terra pagã, Jesus antecipa a vitória do seu Mistério Pascal do fim dos tempos, que há-de pôr termo a toda a acção demoníaca sobre os homens remidos com o seu sangue. O episódio descreve um encontro de Jesus com os habitantes de Gádara que não crêem e rejeitam-no.
Endemoninhado não significa necessariamente uma possessão diabólica, pode ser doença mental. Jesus cede ao desejo dos gadarenos, porque o Evangelho não é imposição, mas proposta e convite. O milagre é sinal de que o Reino de Deus chegou.

Monday, June 30

Segunda-feira da Semana XIII do Tempo Comum


Liturgia da Palavra

Leitura da Profecia de Amós (Am 2, 6-10.13-16)
Assim fala o Senhor: «Por três e por quatro crimes de Israel, não revogarei a minha decisão, porque vendem o justo por dinheiro e o pobre por um par de sandálias; porque esmagam no pó da terra a cabeça dos humildes e confundem o caminho aos pequenos; porque o filho e o pai vão à mesma mulher, profanando o meu santo nome; porque se prostram junto dos altares com as vestes recebidas em penhor e bebem o vinho das multas da casa do seu Deus. E no entanto fui Eu que exterminei diante deles os amorreus, altos como cedros e fortes como carvalhos; destruí no alto os seus frutos e em baixo as suas raízes. Fui Eu que vos retirei da terra do Egipto e vos conduzi durante quarenta anos pelo deserto, para vos dar em posse a terra dos amorreus. Por isso, Eu vos afundarei na lama, como um carro cheio de feno. Então a fuga não será possível para o mais ágil, nem o mais forte poderá recorrer à sua força, nem o valente terá a vida salva. O arqueiro não resistirá, nem o corredor veloz escapará, nem o cavaleiro salvará a vida. O mais valente dos heróis fugirá nu naquele dia».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 8, 18-22)
Naquele tempo, vendo Jesus à sua volta uma grande multidão, mandou passar para a outra margem do lago. Aproximou-se então um escriba, que Lhe disse: «Mestre, seguir-Te-ei para onde fores». Jesus respondeu-Lhe: «As raposas têm as suas tocas e as aves os seus ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça». Disse-Lhe outro discípulo: «Senhor, deixa-me ir primeiro sepultar meu pai». Mas Jesus respondeu-Lhe: «Segue-Me e deixa que os mortos sepultem os seus mortos».


Reflexão
A denúncia dos pecados de Israel é seguida pela recordação dos benefícios divinos. Seguem-se as ameaças contra o pecado apresentado na alteração das relações de justiça e de respeito entre os homens, a substituição das pessoas por coisas, a opressão dos pobres, a perda da dignidade nas relações. A violência das ameaças devia levar o povo a voltar-se para Deus e em vez disso, revolta-se contra o profeta. O Senhor lamenta-se daqueles que se esqueceram das maravilhas feitas em favor deles: Fui eu que vos retirei do Egipto.
Quem quiser seguir a Cristo deve saber ao que se compromete, qual o modo de vida que o espera, quem é Aquele a quem escolheu. Sabendo isso, há-de estar disposto a aceitar os sofrimentos, as adversidades e a paixão como passagens obrigatórias e esse foi também o caminho do Senhor e Mestre. 
Jesus tem pena daqueles que o querem seguir, mas impõem condições: deixa-me ir primeiro sepultar meu pai. Seguindo Cristo, em união com Ele, os cristãos podem esforçar-se por ser imitadores de Deus, e por proceder com amor, conformando os pensamentos, palavras e acções, com os sentimentos de Cristo Jesus e seguindo os seus exemplos.

Sunday, June 29

Solenidade de São Pedro e São Paulo


Liturgia da Palavra

Leitura dos Actos dos Apóstolos (Actos 12, 1-11)
Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja.
Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e, vendo que tal procedimento agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto Pedro era guardado na prisão, a Igreja orava instantemente a Deus por ele. Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas, à porta, guardavam a prisão. De repente, apareceu o Anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela da cadeia. O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro, e disse-lhe: «Levanta-te depressa». E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias». Ele assim fez. Depois acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me». Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo; julgava que era uma visão. Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua,
e subitamente o Anjo desapareceu. Então Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa do povo judeu».

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo (2 Tim 4, 6-8.17-18)
Caríssimo: Eu já estou oferecido em libação e o tempo da minha partida está iminente. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora já me está preparada a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia; e não só a mim, mas a todos aqueles que tiverem esperado com amor a sua vinda. O Senhor esteve a meu lado e deu-me força,
para que, por meu intermédio, a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada e todos os pagãos a ouvissem; e eu fui libertado da boca do leão.
O Senhor me livrará de todo o mal e me dará a salvação no seu reino celeste.
Glória a Ele pelos séculos dos séculos. Amen.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 16, 13-19)
Naquele tempo, Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Baptista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus perguntou: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus respondeu-lhe: «Feliz de ti, Simão, filho de Jonas,
porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus. Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».


Reflexão
Na Solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo, a liturgia convida-nos a reflectir sobre estas duas figuras e a considerar o seu exemplo de fidelidade a Jesus Cristo e de testemunho do projecto libertador de Deus.
Pedro foi o primeiro dos apóstolos. No evangelho, Jesus diz. Tu és Pedro: sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Pelo facto de Pedro ter sido o primeiro do grupo dos Doze, hoje, o Papa é considerado o sucessor de Pedro. Simão era um pescador, um homem simples, mas um homem apaixonado que viu em Jesus o sentido da sua vida; por isso, seguiu-O. Frágil como nós, experimentou a dificuldade de reconhecer a fé e negou Jesus por três vezes, mas depois, deu testemunho de Jesus, até entregar a sua vida, sendo feito prisioneiro e morrendo mártir em Roma.
Paulo é o outro grande Apóstolo. Não conheceu Jesus e durante muitos anos foi um perseguidor dos cristãos. Todos sabemos como Saulo se converteu, como descobre a fé em Jesus, transformando-se no grande apóstolo dos gentios, daqueles que não eram judeus, pregando o Evangelho por todo o mundo conhecido com as suas viagens e com as suas cartas. Paulo será preso e martirizado em Roma. As suas cartas ajudam-nos a conhecer o seu carisma e a sua mensagem. Na 2ª leitura, fala-nos da entrega total da sua vida pela causa do Evangelho, com a ajuda de Deus, confiando de que receberá o prémio no dia em que se apresentar diante do Senhor, justo juiz.
Pedro e Paulo são os dois grandes apóstolos, são os fundamentos da Igreja. Esta solenidade deve fortalecer a nossa fé. Pedro e Paulo foram dois homens simples, cada um com a sua história, com as suas fraquezas e dificuldades; foram testemunhas firmes de Jesus, até dar a vida no martírio em Roma. De Pedro e de Paulo procede a nossa fé que se foi transmitindo de geração em geração na unidade da Igreja. Nós somos homens e mulheres simples, frágeis, por vezes com dificuldade em acreditar e em ser autênticos discípulos de Jesus. Mas em Pedro e Paulo encontramos um modelo, um exemplo, ânimo para sermos verdadeiros discípulos de Jesus, verdadeiros membros da Sua Igreja.